Segurança às seguradoras: inteligência artificial aplicada a casos de abertura de sinistro

Segurança às seguradoras: inteligência artificial aplicada a casos de abertura de sinistro

Na matriz de riscos feita pelas seguradoras, fraude desponta entre as ocorrências que mais tomam a atenção das empresas quando se dá a abertura de sinistro. Nesse momento, mais do que o relato do segurado dando a abertura do processo, a seguradora precisa se munir do maior volume possível de informações e documentos para atestar e justificar o pagamento referente ao prejuízo do bem, garantindo que aquela não seja uma fraude. Nos Estados Unidos, por exemplo, a fraude contra o seguro privado gira em torno de 8% dos prêmios. Na Europa, está em 6%.
No fim do dia, o que resume a atuação de uma seguradora é uma empresa que gere um fundo de contribuições feitas por seus segurados para cobertura dos bens em caso de prejuízo. Por isso a necessidade de averiguar muito bem caso a caso. Para se ter dimensão do quanto isso significa, só no ano passado, o setor arrecadou R$ 270,1 bilhões, de acordo com a Confederação Nacional das Seguradoras (CNSEG). Imagine quantas centenas de milhões de reais possam ser perdidas por conta de fraudes.
Daí a necessidade de se automatizar processos para a garantia de compliance no pagamento de prêmios de seguros seja uma tarefa menos morosa e mais assertiva por parte das seguradoras. Dito isso, esta é uma oportunidade ideal para aplicações usando inteligência artificial.
De documentação à vistoria, sistemas inteligentes podem ser aplicados. É o caso do Tagger, tecnologia proprietária desenvolvida pela NeuralMind, startup sediada no Parque Científico e Tecnológico da Unicamp.
O Tagger consiste em um sistema inteligente capaz de buscar em bases públicas informações relacionadas ao contratante e ao bem segurado. Sendo assim, no caso de uma colisão de um veículo segurado, a seguradora consegue verificar se foi aberto um Boletim de Ocorrência, as informações contidas no documento e a situação regular (ou não) do veículo, por exemplo.
“O ganho de obter essas informações de forma automatizada é enorme. O departamento da seguradora responsável pela análise dos sinistros fica exclusivamente focado nisso, dando mais celeridade aos processos além de ter mais segurança em relação às informações coletadas”, explica Patricia Tavares, CEO da NeuralMind.
Um dos grandes avanços nesse campo da tecnologia, a visão computacional, também pode ser aplicada nos casos de sinistro para compreender o ocorrido. Com o uso de imagens dos veículos, sistemas inteligentes são capazes de garantir a veracidade dos fatos, confrontando o que foi alegado pelo condutor com o que demostra as imagens dos veículos colididos.
“As alternativas usando inteligência artificial são muitas. Essa é uma tecnologia que ultrapassa a capacidade humana. Primeiro, pelo nível de assertividade alcançado. Segundo, pela capacidade de aprender à medida que é alimentada com novos dados. A variável tempo só coopera para que a tecnologia fique ainda melhor”, complementa a CEO da empresa.