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‘Quem detém esse conhecimento tem um leque de oportunidades para empreender e inovar’

 

Avanços em Deep Learning ampliaram as possibilidades para quem pretende empreender nessa área; CTO da NeuralMind partilha hoje no IEEE World Congress on Computational Intelligence como tem sido essa jornada após se aposentar como docente da Unicamp

Depois de anos dedicados à docência e aos estudos relacionados ao processamento de imagens e reconhecimento de padrões, foi com a chegada da aposentadoria como professor titular da Faculdade de Engenharia Elétrica e Computação da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) que Roberto Lotufo decidiu abraçar um novo desafio: o empreendedorismo. “Achei que seria um bom desafio”, lembra ele.

Com a experiência de também ter sido diretor-executivo da Agência de Inovação da universidade por quase dez anos, onde liderou e desenvolveu diversas atividades de promoção ao empreendedorismo, essa escolha pareceu mais simples do que parece. “Isso fortaleceu minha decisão”, diz ele. E foi assim, unindo forças e competências com a especialista em gestão da inovação e desenvolvimento de novos negócios, Patrícia Magalhães de Toledo, que nasceu a NeuralMind – startup atualmente sediada no Parque Científico e Tecnológico da Unicamp, que fornece soluções em Deep Learning –, da qual Roberto Lotufo é CTO.

Empreendedorismo como carreira

A jornada do professor que se tornou empreendedor será apresentada hoje durante o IEEE World Congress on Computational Intelligence, considerado o maior evento técnico relacionado ao campo da Inteligência Computacional. O congresso será realizado no Rio de Janeiro.

O painel IEEE N3XT® Entrepreneurship, do qual Lotufo fará parte, enfoca o papel da inovação e do empreendedorismo em ciência e engenharia, bem como as oportunidades e dificuldades ligadas à área. O objetivo é promover o crescimento de startups e pequenas empresas a partir do uso de Machine Learning e Inteligência Computacional, com vistas a auxiliar também grandes empresas localizadas na América do Sul.

Lotufo, ao lado de outros quatro empreendedores, comentarão suas experiências e de suas empresas até aqui. Integram essa sessão: Alexandre Bess, CEO da LegalBot; Nima Kaz, cofundador da JUPTER e diretor-executivo do Founder Institute Brasil; Isa Oliveira, diretora de operações da Optimum Soluções Estratégias S/A; e Flávio Pereira, CEO da Nuveo AI. Roberto de Marca, que foi presidente e CEO do IEEE, será o moderador.

“Os desenvolvimentos na área de Machine Learning, em especial o Deep Learning, tiveram um avanço enorme de 2012 para cá. Vários problemas de processamento de imagens, que eram impensáveis, tornaram-se realidade com o uso do Deep Learning. Achei que era o tema apropriado para empreender pelas inúmeras oportunidades que são criadas quando existe uma quebra de paradigma, como ocorreu no Machine Learning”, afirma Lotufo ao relembrar a decisão de empreender.

Visão de futuro

Como a Inteligência Artificial é aplicável a praticamente todas as áreas e setores, segundo o CTO da NeuralMind, há um espaço muito grande tanto para as aplicações já existentes, quanto para novas aplicações que ainda são impensáveis. Com isso, esse é um campo muito interessante e promissor para a especialização.

“Muitos pesquisadores estimam que a Inteligência Artificial terá – e, em alguns casos, já tem – cada vez mais impacto em tudo o que fazemos, pois é a primeira vez que a máquina consegue fazer tarefas que até pouco tempo atrás eram impensáveis que ela seria capaz de fazer melhor do que nós, como: dirigir, traduzir textos, reconhecer pessoas, recomendar músicas, entre outras aplicações. Quando isso ocorre, quem detém esse conhecimento tem um grande leque de oportunidades para empreender e inovar”, ressalta Lotufo.

As dificuldades, no entanto, existem e não podem ser ignoradas. “Elas são comuns àquelas enfrentadas por qualquer startup. Na área de Inteligência Artificial, existe atualmente um hipe. Ao mesmo tempo, há muito desconhecimento por parte das empresas sobre como essa tecnologia e seus métodos podem ajudá-la e muita desconfiança se poderão de fato ajudar”, avalia Lotufo. “O empreendedor precisa estar preparado”, finaliza.

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